segunda-feira, 29 de maio de 2017

A mais nova cura milagrosa do câncer

A mais nova cura milagrosa do câncer
Carl Ferré




A
lguns pesquisadores afirmam – e alguns sites repetem – que o bicarbonato de sódio pode curar o câncer e outras doenças. A lógica por trás de tal afirmação resume-se ao seguinte: o câncer é causado ou estimulado por um ambiente interno excessivamente ácido. O bicarbonato de sódio é alcalinizante e ajuda a eliminar a acidez. Como a dieta ocidental típica produz um ambiente interno ácido, soluções alcalinas podem reverter esse quadro doentio.

Um dos princípios da macrobiótica ensina que a toda face corresponde um dorso, e que quanto maior a face, maior o dorso. Tudo aquilo que tem a capacidade de “curar” o câncer também tem a capacidade de produzir um grande estrago. Isto é verdade tanto no que diz respeito à quimioterapia quanto no diz respeito ao bicarbonato de sódio. Como acontece com qualquer medicamento, é preciso pesar os prós e os contras. Neste artigo examinarei as consequências internas do uso do bicarbonato de sódio.

Três das principais funções da vida são a respiração, o batimento cardíaco e a manutenção do pH sanguíneo entre 7,35 e 7,45. Tenhamos ou não consciência da respiração, o fato é que respiramos. Prestemos ou não atenção ao batimento cardíaco, o fato é que o coração não para de bater. Independentemente do que fazemos ou ingerimos, o organismo se esforça por manter inalterável o pH do sangue.

Por outro lado, não é menos verdadeiro que podemos aprimorar nossa saúde dirigindo nossa consciência para cada uma daquelas funções vitais. Meditação diária, yoga ou outra prática relaxante que nos permita concentrar na respiração, produzem um efeito alcalinizante. Quanto mais saudável é a nossa condição cardiovascular, menos suscetíveis somos aos estados ácidos. Adotar uma dieta que inclua ligeiramente mais alimentos alcalinizantes do que alimentos acidificantes é um importante passo para aperfeiçoar nossa saúde e alcançar a longevidade.

ALIMENTOS ACIDIFICANTES E ALIMENTOS ALCALINIZANTES

Mais importante do que saber se um alimento é ácido ou alcalino é saber se ele produz um efeito ácido ou um efeito alcalino.

Quando chegam ao estômago, os alimentos encontram um pH de aproximadamente 2,0. Este pH, 100 mil vezes mais ácido do que o pH neutro, desempenha um papel fundamental na digestão dos alimentos. Só após deixarem o estômago é que os alimentos apresentam efeitos ácidos ou alcalinos.

Alimentos ricos em proteína, gordura e carboidratos são acidificantes. Alimentos ricos em minerais e vitaminas são alcalinizantes. Não é difícil concluir, pois, que a típica refeição ocidental, composta de carne vermelha, pouquíssimos vegetais, sobremesas e bebidas açucaradas, é fortemente acidificante. Se ainda levarmos em conta que as pessoas praticam atividades físicas sem se dedicarem suficientemente ao relaxamento e à respiração profunda, compreenderemos facilmente a atração que sentem pela alcalinização relâmpago. Há, entre os expedientes disponíveis para alcançar a alcalinização instantânea, desde as caríssimas máquinas que tornam a água alcalina até o relativamente barato bicarbonato de sódio.

ELEMENTOS QUÍMICOS ALCALINIZANTES E EXCESSO DE ACIDEZ

Os quatro principais elementos químicos formadores de alcalinidade são o sódio, o potássio, o cálcio e o magnésio. Esses elementos formam bicarbonatos dentro do nosso corpo. Para manter estável o pH sanguíneo, o corpo conta habitualmente com o trabalho dos rins. Em sua tarefa de filtrar o sangue, os rins retêm ou excretam bicarbonato. Porém, se insistimos durante um longo período numa dieta e num estilo de vida acidificantes, chegará o momento em que o organismo se ressentirá da falta de bicarbonato. Então, outros mecanismos de compensação serão acionados, e numa situação extrema o corpo não hesitará em extrair de outras regiões os elementos alcalinos de que necessita, tal como o cálcio dos ossos, dentes e outros tecidos.

Os primeiros sintomas do excesso de acidez são fadiga e letargia mental, já que os processos orgânicos perdem eficiência ao terem que lidar com tal desequilíbrio. Os sintomas subsequentes são problemas de pele e problemas relacionados à micção: é que os rins, para livrarem o corpo do excesso de acidez, o fazem através da pele e da urina. Alguém com osteoporose deveria alcalinizar seu organismo o mais rápido possível, a fim de evitar que seus ossos continuassem a perder cálcio em decorrência da grave acidificação.

Algumas pessoas, prisioneiras da dieta extremamente acidificante que adotaram, preferem equilibrar o organismo ingerindo bicarbonato de sódio ou água alcalinizada. Tais soluções raramente são eficazes, pois o corpo se enfraquece quando tem de lidar com extremos continuadamente. Além disso, ingerir bicarbonato de sódio durante mais de duas semanas pode ser perigoso. Há ainda aqueles que escolhem usar bicarbonato de sódio por um curto período para alcalinizar rapidamente, enquanto introduzem algumas mudanças em sua alimentação.

USANDO BICARBONATO DE SÓDIO INTERNAMENTE

Alguns sites que divulgam o bicarbonato de sódio como solução para o câncer afirmam que se trata de uma alternativa cem por cento segura e natural. Completamente oposta é a opinião do site WebMD, que classifica o bicarbonato de sódio como droga e alerta para seus perigos e possíveis efeitos colaterais. Segundo o mesmo site, os médicos prescrevem bicarbonato de sódio em forma de pílulas principalmente como antiácido de ação rápida contra azia, indigestão e dor de estômago. É somente utilizado para alívio imediato durante no máximo duas semanas. Em nenhuma altura da página WebMD há menção sobre o uso do bicarbonato de sódio em casos de câncer.

A seguir forneço uma lista de precauções e advertências que devem ser levadas em conta quando se usa bicarbonato de sódio internamente.

1.         Seja muito cuidadoso com o consumo de sódio. De acordo com a Clínica Mayo, a dose diária de sódio recomendada é no máximo 2,3 mg. Para os afrodescendentes maiores de 51 anos, e para aqueles com pressão arterial elevada, diabetes ou doença renal crônica, a dose diária cai para 1,5 mg. Uma colher de chá de sal de cozinha contém 2,325 mg de sódio. Uma colher de chá de bicarbonato de sódio contém em média 1,232 mg de sódio.

2.         Não dê bicarbonato de sódio a crianças menores de 5 anos nem o ingira se estiver grávida ou amamentando sem antes consultar um médico ou um profissional da saúde.

3.         Consulte um médico se qualquer efeito colateral aparecer. Alguns efeitos colaterais frequentes são náuseas e inchaço no abdômen. Efeitos colaterais mais graves, embora raros, incluem inchaço das mãos, tornozelos e pés, ganho inusitado de peso, tonturas, dores musculares, espasmos, mudanças de comportamento (confusão mental, irritabilidade, problemas de memória), vômitos, fraqueza, mudanças no volume de urina, dor no peito, convulsões, alcalose, quantidade elevada de cálcio no sangue e reação alérgica grave.

4.         Não ingira mais do que ½ colher de chá rasa de bicarbonato de sódio por vez ou mais do que 3,5 colheres de chá por dia, ou ainda 1,5 colher de chá se já passou dos 60 anos. Note: 3,5 colheres de chá de bicarbonato de sódio contêm 4,312 mg de sódio, ou seja, quantidade bem superior à permitida por dia.

5.         Preste atenção à advertência exibida na embalagem: “A fim de evitar lesões graves, só ingira o produto após ele dissolver-se completamente na água. É muito importante não fazer uso desta substância quando o aparelho digestivo encontrar-se sobrecarregado de alimentos ou bebidas.” A introdução de uma substância altamente alcalina como o bicarbonato de sódio no estômago pode prejudicar o funcionamento normal dos seus ácidos. O corpo necessita tanto de ácido como de alcalino, e quantidades exageradas de um deles interferirá negativamente sobre nossa saúde, especialmente se tal desequilíbrio permanecer durante longo período. O autotratamento do câncer e outras doenças graves nunca é aconselhável. Você deve discutir o uso do bicarbonato de sódio com seu médico, principalmente se estiver tomando medicamentos. Conscientize-se dos perigos e dos possíveis efeitos colaterais do produto. Qualquer pessoa com acidose (pH sanguíneo insistentemente abaixo de 7,35) ou alcalose (pH sanguíneo continuamente acima de 7,45) deveria contatar um médico imediatamente, já que tais estados são considerados graves e requerem um exame completo das atividades orgânicas. Note: o único meio de testar o pH é num laboratório. O pH da saliva e da urina varia enormemente e não é absolutamente um indicador do pH do sangue.

COMBATENDO A ACIDIFICAÇÃO

Há caminhos mais convenientes de combater a acidificação do que a ingestão de bicarbonato de sódio. O primeiro deles é o uso de sal marinho e de produtos que o contém em lugar do sal refinado. No sal marinho encontram-se o cálcio, o potássio e o magnésio, além do sódio e muitos outros minerais imprescindíveis à saúde.  Produtos entre cujos ingredientes está o sal marinho, como missô, shoyu e umeboshi, são excelentes alcanilizadores. O outro caminho é analisar a dieta do dia a dia, com o objetivo de eliminar os alimentos que provocam acidez.

Todos os alimentos ricos em proteínas provocam acidez; alguns, porém, são menos acidificantes que outros. Uma maneira de alcalinizar consiste em reduzir o consumo de alimentos fortemente acidificantes e aumentar o de alimentos levemente acidificantes. Aqui está uma lista de alimentos proteicos ordenados do mais para o menos acidificante: carne vermelha › aves › peixes › cereais integrais e feijões › leite e derivados › nozes e sementes › ovos caipiras. Uma dieta vegana (que exclui qualquer alimento de origem animal), com consumo reduzido de açúcar refinado ou mesmo sua total exclusão, constitui uma excelente opção para equilibrar o ácido e o alcalino.

Algas marinhas contêm muito minerais e são alimentos fortemente alcalinizantes. Ingeri-las com regularidade é uma boa forma de alcalinizar, assim como incluir mais verduras frescas nas refeições. A maioria das frutas são alcalinizantes para as pessoas em boas condições de saúde, mas podem ser acidificantes para as que sofrem de qualquer enfermidade. O açúcar refinado e os alimentos açucarados são extremamente acidificantes, e devem ser evitados. Malte de arroz integral ou de cevada são alternativas interessantes. 

Em suma: utilizar sal marinho em vez de sal refinado, comer mais vegetais e outros alimentos alcalinizantes, reduzir o consumo de produtos extremamente acidificantes apresentam-se como alternativa mais natural para combater a acidez excessiva do que o uso do bicarbonato de sódio ou outras substâncias altamente alcalinas.


domingo, 30 de abril de 2017

O Decisivo Exemplo Materno

O Decisivo Exemplo Materno



P
redominasse a influência de Magotaro sobre o seu primogênito e jamais a criança haveria de tornar-se alguém. Para que o melhor dos destinos se cumprisse, decisivo foi o papel da mãe, Setsuko: por intermédio dela é que o interesse pelo conhecimento em geral e pela humanidade em particular grassou no espírito do menino.

Cinco anos após o casamento, Magotaro abandona a família para viver com a amásia.   Setsuko, a essa altura com dois filhos, agarra-se à primeira oportunidade de trabalho, nunca se queixando quer da falta de integridade do marido quer das dificuldades financeiras que a oprimem.

Anos ininterruptos de trabalho árduo tornam-na presa fácil da tuberculose. Quando a doença se mostra invencível, chama Setsuko ao leito os dois meninos. Ao mais novo, sabendo-lhe yang, recomenda a carreira militar. Ao mais velho, sabendo-lhe yin, recomenda a carreira literária. Mas logo os previne de que o conhecimento não deve restringir-se ao necessário para o desempenho de uma profissão: deve, ao contrário, espraiar-se pelas mais diversas regiões. Não deixa de confiar a ambos, porém, que a verdadeira vocação humana está em ajudar os pobres e enfermiços. Faltando-lhe o ar, afunda no leito, cerra os olhos e despede-se da vida.   Aos pequenos resta recolherem-se num monastério budista.

Quando o primogênito começa a prosperar no comércio, Magotaro reaparece pedindo-lhe dinheiro. Ao negar-lhe o filho qualquer ajuda financeira, o degenerado pai, sem a menor vacilação, dirige-se à delegacia de polícia. Vê-se o filho, então, obrigado a sustentar aquele que, em tempos passados, havia atirado no desalento e no desamparo a própria família.

Anos mais tarde, o primogênito escreveria em seu diário: “Qual a razão deste pai existir, já que não tem valor algum?”

Em contrapartida, lê-se no mesmo documento: “O que hoje sou, e o que desejo ser no futuro, devo-o integralmente à influência de minha mãe, que morreu quando eu tinha apenas 10 anos de idade.”

Antes de deitar na página o ponto final, uma breve notícia: o primogênito chamava-se George Ohsawa.